PARTE 1
“Se tiver que escolher, doutor, salve Mariana primeiro. Minha esposa pode esperar.”
Foram essas palavras que me fizeram entender que meu casamento havia terminado muito antes do acidente.
O acidente aconteceu numa sexta-feira à tarde, quando voltávamos do almoço em Las Lomas. Alejandro estava ao volante. Mariana, sua amiga de longa data, estava sentada ao lado dele, reclamando que se sentia fraca. Eu estava no banco de trás, ainda assimilando a discussão que tínhamos acabado de ter.
Então, um caminhão parou de repente.
Tudo aconteceu ao mesmo tempo.
No hospital, Mariana e eu fomos levadas às pressas quase juntas. Ela tinha ferimentos leves. Eu estava em estado grave, mal conseguindo me manter consciente.
Uma enfermeira gritou que minha pressão arterial estava caindo e que eu precisava de cirurgia imediatamente.
Mas Alejandro olhou para o médico e disse: "Leve Mariana primeiro. Ela é frágil. Ela tem problemas cardíacos."
A enfermeira olhou fixamente para ele.
“Sr. Montes, o estado de saúde da sua esposa é pior. Precisamos de autorização para operar.”
Alejandro olhou para mim por um segundo. Não havia medo em seus olhos. Apenas irritação.
“Ela está acordada, não está? Deixe-a assinar. Mariana primeiro.”
Algo dentro de mim ficou gelado.
Durante três anos, esperavam que eu entendesse por que Mariana sempre vinha em primeiro lugar. Se ela chorava, Alejandro fugia. Se ela se sentia sozinha, ele me deixava para trás. Se ela me acusava de ciúmes, eu era obrigado a pedir desculpas.