Não confrontei Diane naquela noite. Não consegui. Deitada na cama, fiquei olhando para o teto, tentando processar tudo o que acabara de ouvir: os sussurros, os pedidos de desculpas, a intimidade.
Na manhã seguinte, acordei com o barulho da cafeteira. Levantei-me, ainda grogue e chocada com o que ouvira.
Diane já estava acordada, sentada à mesa da cozinha, tomando seu café. Ela não olhou para mim quando entrei, mas eu podia sentir seu olhar sobre mim — como quando você sente alguém te observando, mesmo que essa pessoa esteja fingindo que nada aconteceu.
"Eu não queria que você ouvisse isso", disse ela suavemente, com a voz carregada de arrependimento.
A princípio, não disse nada. Fiquei parado, com as mãos entrelaçadas na borda do balcão.
Finalmente, falei. "Por que você não me contou?" Minha voz estava mais fraca do que eu gostaria. "Por que você não me contou que estava saindo com outra pessoa?"
Diane suspirou. "É complicado, Marcus."
"Complicado?", repeti, elevando a voz. "Você mora aqui, na minha casa, e está saindo com outra pessoa? Você sequer imagina como é isso? Eu pensei que estávamos apenas tentando encontrar um equilíbrio para a guarda compartilhada, Diane. Eu não concordei com isso."
Ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro na cozinha. "Eu não sabia como te contar. Eu não sabia como explicar direito. Eu não queria..."
Eu queria te machucar. Mas também não queria mais mentir.
Engoli em seco, sentindo o peso das palavras dela.
E então, fiz algo inesperado.
Fiz a pergunta que vinha evitando, aquela que me atormentava desde que ouvi aquelas vozes no meio da noite.
"Quem é?", perguntei, minha voz quase inaudível.
O resto pode ser encontrado na próxima página.