Então Victor o viu.
Mandaram que ele voltasse para a cama.
Mas Ethan o seguiu.
Ele o viu segurando a faca e escondendo-a debaixo da cama da minha mãe.
Eu me senti mal.
Porque uma parte de mim também se lembra de algo.
Um detalhe estranho que ignorei na época.
O sangue no robe do Amilm não estava espalhado.
Parecia oleoso.
É como se tivesse sido colocado ali.
Não, é como se fosse o resultado do que aconteceu.
Horas depois, os policiais voltaram.
Encontraram a gaveta secreta.
E havia documentos nela. Dispositivos USB. E fotos.
Uma foto mudou tudo.
Mostrei a ele Victor ao lado de um homem que ele não conhecia.
E atrás deles, meu pai mal era visível.
E no verso da foto, com a letra do meu pai:
Se algo me acontecer, Caroline não se responsabiliza.
O volume continha mais.
Recortes da oficina do meu pai. Victor está negociando dinheiro com o mesmo cara.
Negócios ilegais. Transações não declaradas.
Uma gravação de áudio.
A voz de Abygadi:
Vou denunciá-lo.
E a voz de Victor, mais fria do que eu jamais ouvira:
Você não sabe com quem está lidando.
Então, o som de um baque.
E então, cale a boca.
Naquela noite, um mandado de prisão foi expedido.
Victor não tentou fugir. Até a fuga.
Ele repetia que tudo estava errado.
Mas as evidências eram mais fortes.
Pela primeira vez em seis anos,
a verdade teve voz.
A execução da sentença foi oficialmente suspensa.
Não era justiça.
Ainda não.
Mas havia tempo.
Minha mãe quase perdeu a cabeça.
Caí de joelhos diante dela.
Me desculpe, sussurrei. Eu deveria ter acreditado em você.
Toquei meu rosto delicadamente.
Você era apenas uma criança, ela disse. Mas eu sabia que não era toda a verdade.
Escolhi o silêncio.
Porque o silêncio era mais fácil do que questionar tudo.