O caso foi reaberto.
E seus fios se desfizeram mais rápido do que qualquer um esperava.
As provas foram manipuladas.
E os certificados foram ignorados.
Víctor foi o maior beneficiário da morte do meu pai, e ainda assim ninguém pareceu investigar a fundo o suficiente.
Porque a história mais simples era mais confortável.
Uma mulher mata o marido.
O caso é encerrado.
Meses depois, minha mãe foi libertada.
Não foi uma cena dramática.
Sem música.
Sem comemoração. Apenas um juiz lendo uma sentença que deveria ter sido proferida seis anos atrás.
Ele anulou o veredicto.
Libertação imediata.
Ela não se mexeu a princípio.
Ela estava parada como se o tempo tivesse parado a seus pés, como se o mundo inteiro tivesse subitamente desacelerado para torná-la invisível. Seus olhos estavam abertos, fitando o vazio, não a nós ou ao juiz, mas a algo mais distante, algo que não podíamos ver. Era como se ela tentasse assimilar a ideia de que não acreditava mais que não era mais uma prisioneira.
Era como se a liberdade fosse algo que seu corpo tivesse esquecido como beijar.
Ela se recompôs, seus dedos tremendo levemente. Como se as amarras que a prenderam por tantos anos não fossem apenas metal, mas parte de seu corpo, de sua memória, de sua identidade. Como desatar algo que está preso?